29/02/08

Antonio Gamoneda

Sobre la calcificación de las semillas, ante las flores abrasadas, en la desaparición del pensamiento,

tejen la yerba manos invisibles. Temo su pureza. Veo

lana sangrienta y, en los alimentos, grasa mortal, cánulas negras y, bajo ramas inmóviles, cuerdas y sombras y preservativos.

¿Soy yo quien mira con mis ojos?

Arden
los huesos, oigo la fermentación del rocío: alguien llora bajo los
árboles torturados. Veo las llagas de la luz, altos patíbulos y
serpientes y aceites industriales bajo los lóbulos de las amapolas.

¿Estoy yo en mí y peso sobre la tierra? Es extraño.

En cualquier caso, tengo miedo: los insectos vienen a mi corazón.


28/02/08

Blogarias

 

  1. ÓI PEDRO, VAMOS DAR UM XUTO DE VODKA? No Jumento.
  2. A ENTREVISTA DE SÓCRATES, no Insurgente.
  3. A REVOLUÇÃO ESTÁ NA ORDEM DO DIA, no HOJE HÁ CONQUILHAS, AMANHÃ NÃO SABEMOS
  4. LEMBRAM-SE DO MARQUES MENDES?, no Aspirina B
  5. AUTONOMIA, de Vital Moreira no Causa Nossa

Eutanezes

Estou de rastos. Menezes ainda consegue prostrar-me com a sua determinação no combate pelo direito dos políticos à eutanásia.

Realmente, um ser terminalmente político como ele não merece continuar nos Cuidados Intensivos.

Não haverá por aí uma alma caridosa que o desligue da máquina partidária, pondo fim à agonia da morte lenta?

26/02/08

Santana & Menezes

Santana Lopes segue e soma. Por sua conta vai averbando as tontices de Menezes.

È uma soma garantida, contanto que Menezes vá durando...

19/02/08

Hotel California

 

On a dark desert highway, cool wind in my hair
Warm smell of colitas, rising up through the air
Up ahead in the distance, I saw a shimmering light
My head grew heavy and my sight grew dim
I had to stop for the night
There she stood in the doorway;
with the mission bell
And I was thinking to myself,
'This could be Heaven or this could be Hell'
Then she lit up a candle and she showed me the way
There were voices down the corridor,
I thought I heard them say...
Welcome to the Hotel California
Such a lovely place
Such a lovely face
Plenty of room at the Hotel California
Any time of year, you can find it here
Her mind is Tiffany-twisted, she
got the Mercedes Benz
She got a lot of pretty, pretty
boys, that she calls friends
How they dance in the courtyard, sweet summer sweat.
Some dance to remember, some dance to forget
So I called up the Captain,
'Please bring me my wine'
He said, 'We haven't had that spirit
here since nineteen sixty nine'
And still those voices are calling from far away,
Wake you up in the middle of the night
Just to hear them say...
[ Lyrics provided by www.mp3lyrics.org ]
Welcome to the Hotel California
Such a lovely place
Such a lovely face
They're livin' it up at the Hotel California
What a nice surprise, bring your alibis
Mirrors on the ceiling,
The pink champagne on ice
And she said 'We are all just
prisoners here, of our own device'
And in the master's chambers,
They gathered for the feast
They stab it with their steely knives,
But they just can't kill the beast
Last thing I remember, I was
Running for the door
I had to find the passage back
To the place I was before
'Relax,' said the night man,
We are programmed to receive.
You can checkout any time you like,
but you can never leave! (less)

Added: May 01, 2006

Category:  Music

Tags:  
eagle hotel california

17/02/08

Noitadas

mulher_gorda_appa 

Quando Zibelina se lembrou de mim era tarde: às 4 da madrugada nada havia a fazer, por falta de combóios ou qualquer outro transporte público que albergasse o proleta teso que sou.

- Fica para a próxima ó Zibelina - telefodisse-lhe com a minha melhor entoação.

- E será quando?

- Ò filha, sabes bem como ando ocupado e constipado...

- Sempre a fugires...

- Mas porque não ligaste mais cedo?

- Querias encontrar-te com o Leónidas?

- Ai foi por isso? Então para a próxima o Leónidas que te atenda melhor e com mais tempo!

09/02/08

The redesign of american politics?

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Sometimes we overlook the obvious. Like everyone else this week I have been mesmerised by the contest between Hillary Clinton and Barack Obama. I woke up in Washington on the morning after Super Tuesday certain that Mr Obama had stolen a lead. By lunchtime, it was evident that Mrs Clinton’s resilience gave her the edge. A few hours later, friends at dinner were flipping a coin. That was before the breaking news that Mrs Clinton was short of cash restored Mr Obama to pole position.

Lost in all the excitement are some extraordinary shifts in America’s political landscape. Look at the struggle for the Democratic nomination from another perspective: the politician with the best chance of becoming the 44th president of the US will be a woman or an African American. Try that again: a woman or an African American will most likely deliver next January’s presidential inaugural address.  (Texto completo aqui)

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12/01/08

Blogs

BASTA! post do bem haja que transcrevemos:

Há por aí uma gajada cada vez mais sinistra.
Agora pegou moda chamar ao 1º Ministro fascista - num espúria aliança de personalidades de todo o espectro político.
A desmedida de tais ataques, a desporporção entre os qualificativos dos actos e os próprios actos é espantosa, sobretudo quando tem entre os protagonistas de tão vesgo e inconfessável comportamento pessoas com passado político e profissional repeitável e respeitado.

Já se esqueceram de como era?

Marisa Monte e Roberto Carlos

Otoño secreto

Cuando las amadas palabras cotidianas
pierden su sentido
y no se puede nombrar ni el pan,
ni el agua, ni la ventana,
y la tristeza ha sido un anillo perdido bajo nieve,
y el recuerdo una falsa esperanza de mendigo,
y ha sido falso todo diálogo que no sea
con nuestra desolada imagen,
aún se miran las destrozadas estampas
en el libro del hermano menor,
es bueno saludar los platos y el mantel puestos
sobre la mesa,
y ver que en el viejo armario conservan su alegría
el licor de guindas que preparó la abuela
y las manzanas puestas a guardar.
Cuando la forma de los árboles
ya no es sino el leve recuerdo de su forma,
una mentira inventada por la turbia
memoria del otoño,
y los días tienen la confusión
del desván a donde nadie sube
y la cruel blancura de la eternidad
hace que la luz huya de sí misma,
algo nos recuerda la verdad
que amamos antes de conocer:
las ramas se quiebran levemente,
el palomar se llena de aleteos,
el granero sueña otra vez con el sol,
encendemos para la fiesta
los pálidos candelabros del salón polvoriento
y el silencio nos revela el secreto
que no queríamos escuchar.

Jorge Teillier (Chile)

09/01/08

Do mauzinho estrutural

Há pessoas estruturalmente más. Curiosamente, são as menos culpadas ou culpáveis - o gene que indelevelmente tão impiedosamente as marcou nasceu com elas, deixando torto à nascença o que a vida social jamais curará ou redimirá.

Quem na sociedade trata dos maus - polícias, juízes, padres e psiquiatras - passa geralmente ao lado deste destinguo genético. Mais do que as causas preocupam-se com as consequências da maldade, da prevenção à repressão. E, embora o padre e o psiquiatra asseverem que cada um dos maus de per si é um caso, a verdade é que - entre orações, sermões, psicoterapia e farmacoterapia - a abordagem pouco varia no conteúdo e tudo se concentra na retórica da dosagem ou na dosagem da retórica.

E os mauzinhos estruturais, afinal?

Esses são como os outros: isolam-se se maus, matam-se se péssimos e ostracizam-se se só chatos.

03/01/08

Disponibilidades evangélicas

Como se esperaria de alguém solícito, estou quase sempre disponível para os outros. que para mim nunca são o inferno.

OS OUTROS são um valor acrescentado à minha humanidade - amo-os de acordo com o preceito evengélico.

Por isso, e por muito que me custe, eis alguns que eu amo:

Cavaco Silva, Alberto João Jardim, António Maria Carrilho, Comendador Berardo, Armando Vara, JoãoCarlos Espada, José Manuel Fenandes, Júlia Pinheiro, José António Saraiva, Luís Filipe Mourinho, José Scolari, Major Loureiro, Bettencourt Picanço, Vasco Pulido Tavares, Miguel Sousa Valente, Clara Ferreira Alves, etc, etc

Que a terra me seja leve e o céu lesto e aconchegante.

27/12/07

MANU CHAO "Me Llaman Calle"

Ele

Ele Conseguiu

Quem me vê, aqui no Leblon, passando de bermudas com o ar meio aparvalhado de sempre, as bainhas das bermudas de sempre abaixo dos joelhos, as sandálias de sempre escorregando dos pés e o sorriso alvar de sempre com que respondo aos cumprimentos de desconhecidos, vai jurar que é o mesmo lunático inofensivo que costuma circular nas vizinhanças, indo comprar bolo de aipim na confeitaria ou ao boteco para arrostar as agressões à minha vascainidade temporariamente injuriada (apesar de já estar classificado, mas quem é vascaíno mesmo sabe a que quero referir-me) e certamente não desconfiará de nada. Passará até por perto de mim, sem ter a menor idéia de que, em meu cérebro tresvariado, reside um quase-homicida, a ponto de cometer não só um, mas vários tresloucados gestos. E, de fato, tenho saído muito mais que habitualmente para não começar a tresloucar à mínima provocação da parte dele, cuja convivência já não consigo suportar e cuja visão ameaça levar-me a crises convulsivas.

Sim, talvez algum de vocês já tenha adivinhado. É o computador, esta máquina demoníaca com a qual somos cada vez mais obrigados a conviver e que, na exatíssima descrição de um amigo meu, é dividida em duas partes principais: o hardware e o software. O software é a parte que você xinga e o hardware é a parte que você chuta. Até umas duas semanas atrás, apesar de rudes golpes e embates, eu terminava ganhando, ou pelo menos obtendo razoáveis condições de sobrevivência. Agora, porém, me vejo derrotado, arrasado, devastado e - tenho certeza - observado com desdém sádico e sarcástico por este monitor que sou obrigado a fitar de olhos injetados. Ele finalmente ganhou. Eu não deixava que ele pegasse vírus ou qualquer outra afecção, dedicava a seu caráter solerte e traiçoeiro a mais vigilante das atenções, mas desta vez ele achou um jeito de ganhar, aplicando-me um simples golpe mecânico.

Tento amenizar meu sentimento de revolta e humilhação raciocinando que ele veio para ficar e ou nos habituamos a ele ou nos fossilizamos em questão de semanas. Lembro os tempos heróicos em que, para escrever um livro, eu tinha de catamilhografar minha pobre literatura usando um abominável papel-carbono que produzia uma cópia que eu jamais emendava, mas guardava por questão de segurança, revendo resmas de laudas amarfanhadas, passando a limpo (a sujo, na realidade, porque as emendas a caneta posteriores eram inevitáveis) tudo e encaminhando o resultado a uma datilógrafa profissional, que produzisse originais apresentáveis. Depois, revia os erros que a datilógrafa também cometia, entre frasquinhos de substâncias malcheirosas, colas viscosas, fitas adesivas, tesouras e equipamentos esotéricos que algum amigo sempre trazia da Alemanha e que acabavam se revelando instrumentos de tortura. E, enfim, depois dessa bodosíssima odisséia, entregava os originais à editora, que os mandava à gráfica, que fazia a composição em linotipo, que vinha com erros, que eram de novo emendados, que… Enfim, era uma mixórdia infernal, de que o computador nos livrou para sempre.

Livrou, sim, mas com a condição de que usássemos uma máquina cuja manutenção dá mais trabalho do que, como já disse aqui, manter e administrar seis famílias. Revejo esta estimativa agora. Não seis famílias, mas pelo menos umas oito a dez. Em verdade lhes digo, para que o computador funcione cem por cento (cem por cento, não, porque isso é uma utopia, mas uns 80 a 90 por cento, porque sempre há alguma coisinha que requer um acerto nem sempre adiável), é preciso que se dedique a ele pelo menos o dobro do tempo que se dedica ao trabalho propriamente dito. Duvido que o mais fanático dos proprietários ou colecionadores de automóveis tenha mais trabalho do que um pobre usuário de computador.

Quem usa sabe, não tenho o que explicar. Quem não usa não seria capaz de avaliar o que significa trabalhar em regime de permanente suspense, ameaçado por interrupções e anúncios sinistros, além de acusações infundadas, tais como a de que o pobre escrevinhador acaba de cometer uma operação ilegal e o programa será fechado. Isso é o mínimo. O meu mente de forma desavergonhada e alardeia a ocorrência de catástrofes que jamais se materializam e, quando se materializam, só são realmente solucionáveis por uma comissão de técnicos ensandecidos, que falam uma língua incompreensível pelo resto da Humanidade e declaram tudo obsoleto, inadequado ou, para usar uma palavra de que cada vez gostam mais e só é empregada com maior freqüência em relação à vida pública nacional, corrompido. O que você aprendeu ontem não serve mais para hoje e o que você instalou ontem se recusa a comunicar-se, ou sequer coexistir, com o que você teve de instalar hoje. Conheço vários mártires companheiros de sofrimento, como, por exemplo, o equilibradíssimo colega e amigo Zuenir Ventura, que, como eu, alterna momentos em que quer atirar o computador pela janela ou atirar-se ele mesmo pela janela.

Mas eu ia resistindo, pagando o preço da eterna vigilância. Era, de certa forma, um vitorioso. Hoje, porém, não. Ele vinha dando sinais de que a rebelião final chegaria, mas eu não ligava. Afinal, não havia vírus, não havia descuido quanto a nada. Até que chegou o dia em que, sem mais um aviso a não ser de que havia um erro no disco, ele travou de vez e não voltou a dar sinal de vida. Mudei o disco e perdi tudo. É como se uma biblioteca tivesse pegado fogo. Desarvorado, não sei mais o que escrevi, como escrevi ou a quem escrevi. Dirão vocês que se deu bem a literatura brasileira, pois nunca mais haverá um livro de crônicas minhas, talvez livro nenhum. Nem haverá um eu, possivelmente. Sim, porque enquanto arrasto os pés por aí com a cara apalermada, sei que ele ganhou e agora está apagando os meus últimos neurônios. Se, na próxima semana, eu não aparecer, vocês já sabem: fui deletado.

João Ubaldo Ribeiro

Jornal “O Globo” de 12/11/2000.

Good old country - Emmilou Harris

Do perigo da ingenuidade

O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.

Mas os ingénuos são os primeiros que ignoram a força criadora da ingenuidade, e na ânsia de crescer compram vantagens imediatas ao preço da sua própria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espanatalhos da sua própria esperteza saloia.

Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia. A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo, que desconfiou de si próprio, que se permitiu servir de malícia, a qual como toda a espécie de malícia não perdoa exactamente ao próprio que a foi buscar. Em português a malícia diz-se exactamente por estas palavras: esperteza saloia.

Parecendo tão insignificante, a malícia contudo fere a individualidade humana no mais profundo da integridade do próprio que a usa, porque o distrai da dignidade e da atenção que ele se deve a si mesmo, distrai-o do seu próprio caso pessoal, da sua simpatia ou repulsa, da sua bondade ou da sua maldade, legítimas ambas no seu segredo emocional.
Porque na ingenuidade tudo é de ordem emocional. Tudo. O que não acontece com as outras espécies de conhecimento onde tudo é de ordem intelectual. Na ordem intelectual é possível reatar um caminho que se rompeu. Na ordem emocional, uma vez roto o caminho, já nunca mais se encontrará sequer aquela ponta por onde se rompeu.
O conhecimento é exclusivamente de ordem emocional, embora também lhe sirvam todas as pontas da meada intelectual.

Almada Negreiros, in 'Ensaios'

26/12/07

Ramon Vargas - L'elisir d'amore - Una furtiva lagrima

Ramon Vargas canta Donizetti sob a direcção de Placido Domingo.