Há gajos à rasca com a crise.
Diz-se que os mais aflitos são os mais ricos.
É que terão de fazer uma pausa.
Há gajos à rasca com a crise.
Diz-se que os mais aflitos são os mais ricos.
É que terão de fazer uma pausa.
Eu, que sempre gostei de ver oposições parlamentares aguerridas, estou hoje bem triste, recalcando sem efeito visível a vergonha que ontem passei durante o debate parlamentar (mais propriamente chamado o passeio de Sócrates).
Realmente, tivemos oposição no seu pior: sem chama, sem imaginação, sem conteúdo. Rangel (onde terá Manuela ido descobrir este génio?) e Louçã esmeraram-se na desgraça paroquial.
Garanto que a sra. Palin é bem melhor.
Começo finalmente a perceber o Manelismo.
Trata-se - depois do tabu do silêncio - de fazer microoposição: alinham-se declarações sobre temas menores, misturam-se algumas posições solenes sobre temas fracturantes que, por serem "matéria de consciência", permitem lavar as mãos na liberdade de voto, simulacro de democracia alaranjada e arejada. Junta-se a esta salada de frutas um sempre-recauchutado Santana (que dá a D. Manuela um cheirinho de calculismo pragmático, tempero sempre conveniente numa salada que se preza).
Afinal é tudo simples.
Menos ganhar eleições.
A crise financeira veio para ficar, com as carpideiras do costume e as desculpas de quem tem peso na consciência.
O capitalismo não acabou: apenas está mostrando que não pode passar - sobretudo ele! - sem o socorro do Estado para lhe subsidiar as incompetências e os golpes - financiando-lhe, generosamente, os prejuízos.
Quando o engenho dos "novos produtos financeiros" começa a soçobrar, o sistema dá nisto: socializam~se as percas para continuar a capitalizar-se nas várias roletas do Casino.
Mas haveria outro remédio?
Haveria: mas era necessário subordinar o poder económico ao político. Coisa que aos próprios políticos não interessa: quem lhes pagaria os desvarios, as comissões e a domesticação da grande mídia?
Nada voltará a ser como era. Para que tudo continue a ser como era.
Há só que mudar o esquema e alguns dos seus arquitectos.
The show must go on.
Lento,
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).
São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.
Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.
Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia
MAURÍCIO SEGALL
Estive a ver as entrevistas de Lula e Sócrates à RTP2.
Lula é bem mais expontâneo, vivido, tarimbeiro de todas as batalhas, das perdidas construindo as vitoriosas.
Foi gostoso vê-lo.
Sócrates é o que é: a força da determinação activista sem a convicção tranquila e simpática do Presidente Brasileiro. Mas, dentro do que temos, não há melhor...
Jorge Deodato nem sempre faltava ao emprego: ás vezes lá aparecia, com uma desculpa esfarrapada por estar presente onde os colegas já não estavam habituados a vê-lo.
Mas aparecer era sinal de remoque na consciência de esportulador de salários in absentia.
O estatuto de Delegado sindical legitimava-lhe a prebenda, que procurava compensar com zelo e arte no que chamava "a defesa das regalias conquistadas".
A regalia dele era obviamente a mais estimada, defendida e utilizada.
Pois: o exemplo tinha de vir dele.
Estou ciente de que os cientistas são os guardiães da ciência. Se o não fossem, mal iriam - eles e a ciência.
Efectivamente, o que seria uma ciência sem guardas ou uns cientistas sem nada para guardar?
Assim sendo, os cientistas que guardem a as ciências que se deixem guardar. Éste é o fado que lhes coube em sorte e com a sorte não se brinca.
Tenhamos esperança de que a Ordem do Universo será respeitada. Nela, guardadas estão as ciências para os cientistas as guardarem.
Nutro uma grande ternura por Manuela Ferreira Leite. Dá-me uma impressão de senhora tão séria quanto determinada no fracasso. É que nem sempre fracassa quem quer nem quem pode. Mas quase sempre fracassa quem não merece.
E Manuela não merece: é séria, não demagógica, competente, boa avó, bom mãe, boa esposa, óptima cidadã.
Manuela: o filet mignon dos tubarões do laranjismo.
A justiça tem destas coisas: raramente prevalece, sobretudo na política. Que aliás se não rege - hélas! - pela justiça mas pelo poder.
Tenho de ser objectivo: adoro a senhora, mas suas virtudes são seus defeitos - quem quer um 1º Ministro ASSIM?
Sobretudo os que se lembram de Cavaco, o nosso Primeiro.
É a partir deste excelente exemplo de ineficiência e iniquidade que Ferreira Leite que conter as despesas do Estado. Não apresenta um número sobre o SNS que exija a alteração da sua filosofia, o que se compreende quando estamos a falar do serviço público mais eficaz e que, ao contrário de quase tudo no país, se encontra entre os melhores do mundo. Os ricos que paguem a saúde, parece ser o mote deste novo PSD. Como os ricos já não põem os pés no serviço público, fica-se sem perceber onde é que este serviço universal empobrecido vai melhorar o que quer que seja. A não ser, claro, que Ferreira Leite pretenda mexer no bolso na classe média e média-baixa. A mesma que já se encontra sobreendividada, recebendo salários de mil e poucos euros para pagar 500 ao banco pela prestação da casa.
Ferreira Leite começou a sua campanha mostrando-se preocupada com a pobreza e o empobrecimento da classe média. A sua primeira proposta é coerente. Nivelar por baixo, destruindo o melhor e mais eficiente serviço público para promover a iniciativa privada. O “novo” PSD pode ter menos aparato cénico e ser menos histriónico, mas é apenas uma nova embalagem para a demagogia de sempre.
Categorias do Technorati opinião, ricos, PSD, manuela ferreira leiteHoje conto com a colaboração de colaboradores que colaboram por gosto, sem cansaço por colaborarem. É esta colaboração que aprecio, haja calor ou frio, chuva, neve ou granizo.
Estes colaboradores colaboram onde haja necessidade de colaboração: limpezas, lavagens, cozinha ou repassagem de roupa, costura ou bordado, mecânica ou informárica.
Colaboradores destes há poucos: por isso colaboram tanto, procurando suprir a sua exiguidade em número.
Quem são eles?
Imigrantes claro. Mesmo que à revelia do Paulinho Portas.
Pois. No colaborar é que está o ganho. É colaborando que a gente se entende, sustenta e vive.