12/10/08

O fado

Há  países onde é difícil viver. Noutros, não é fácil conviver. Noutros ainda, NADA sai bem.

VPV vive num país do 3º grupo. Feito à sua medida, para seu prazer e desgraça dos outros.

Mas com a desgraça dos outros pode ele bem: que seria de VPV se alguma coisa corresse bem no seu país?

11/10/08

Timing

Há gajos à rasca com a crise.

Diz-se que os mais aflitos são os mais ricos.

É que terão de fazer uma pausa.

09/10/08

O monólogo parlamentar

Eu, que sempre gostei de ver oposições parlamentares aguerridas, estou hoje bem triste, recalcando sem efeito visível a vergonha que ontem passei durante o debate parlamentar (mais propriamente chamado o passeio de Sócrates).

Realmente, tivemos oposição no seu pior: sem chama, sem imaginação, sem conteúdo. Rangel (onde terá Manuela ido descobrir este génio?) e Louçã esmeraram-se na desgraça paroquial.

Garanto que a sra. Palin é bem melhor.

06/10/08

Cuidados


Quando hoje me levantei, lembrei-me que ontem fora dia 5.
E voltei a comemorar.

Entretanto, procurando dar seguimento aos preceitos da caridade cristã, tive um pensamento de cuidado filial pela líder do PSD. Bem merece!

29/09/08

O Manelismo

Começo finalmente a perceber o Manelismo.

Trata-se - depois do tabu do silêncio - de fazer microoposição: alinham-se declarações sobre temas menores, misturam-se algumas posições solenes sobre temas fracturantes que, por serem "matéria de consciência", permitem lavar as mãos na liberdade de voto, simulacro de democracia alaranjada e arejada. Junta-se a esta salada de frutas um sempre-recauchutado Santana (que dá a D. Manuela um cheirinho de calculismo pragmático, tempero sempre conveniente numa salada que se preza).

Afinal é tudo simples.

Menos ganhar eleições.

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The show must go on

A crise financeira veio para ficar, com as carpideiras do costume e as desculpas de quem tem peso na consciência.

O capitalismo não acabou: apenas está mostrando que não pode passar - sobretudo ele! - sem o socorro do Estado para lhe subsidiar as incompetências e os golpes - financiando-lhe, generosamente, os prejuízos.

Quando o engenho dos "novos produtos financeiros" começa a soçobrar, o sistema dá nisto: socializam~se as percas para continuar a capitalizar-se nas várias roletas do Casino.

Mas haveria outro remédio?

Haveria: mas era necessário subordinar o poder económico ao político. Coisa que aos próprios políticos não interessa: quem lhes pagaria os desvarios, as comissões e a domesticação da grande mídia?

Nada voltará a ser como era. Para que tudo continue a ser como era.

Há só que mudar o esquema e alguns dos seus arquitectos.

The show must go on.

12/09/08

Os gargalhões

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Larry Carlson

04/08/08

Lento, curto o momento ...

Lento,
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).

São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e  areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.

Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.

Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia

MAURÍCIO SEGALL

30/07/08

Lula 3, Sócrates 1

Estive a ver as entrevistas de Lula e Sócrates à RTP2.

Lula é bem mais expontâneo, vivido, tarimbeiro de todas as batalhas, das perdidas construindo as vitoriosas.

Foi gostoso vê-lo.

Sócrates é o que é: a força da determinação activista sem a convicção tranquila e simpática do Presidente Brasileiro. Mas, dentro do que temos, não há melhor...

22/07/08

Hello

mark hicks

mark hicks

21/07/08

Regalias

Jorge Deodato nem sempre faltava ao emprego: ás vezes lá aparecia, com uma desculpa esfarrapada por estar presente onde os colegas já não estavam habituados a vê-lo.

Mas aparecer era sinal de remoque na consciência de esportulador de salários in absentia.

O estatuto de Delegado sindical legitimava-lhe a prebenda, que procurava compensar com zelo e arte no que chamava "a defesa das regalias conquistadas".

A regalia dele era obviamente a mais estimada, defendida e utilizada.

Pois: o exemplo tinha de vir dele.

20/07/08

A ordem sagrada do universo

Estou ciente de que os cientistas são os guardiães da ciência. Se o não fossem, mal iriam - eles e a ciência.

Efectivamente, o que seria uma ciência sem guardas ou uns cientistas sem nada para guardar?

Assim sendo, os cientistas que guardem a as ciências que se deixem guardar. Éste é o fado que lhes coube em sorte e com a sorte não se brinca.

Tenhamos esperança de que a Ordem do Universo será respeitada. Nela, guardadas estão as ciências para os cientistas as guardarem.

19/07/08

Da objectividade inane

Nutro uma grande ternura por Manuela Ferreira Leite. Dá-me uma impressão de senhora tão séria quanto determinada no fracasso. É que nem sempre fracassa quem quer nem quem pode. Mas quase sempre fracassa quem não merece.

E Manuela não merece: é séria, não demagógica, competente, boa avó, bom mãe, boa esposa, óptima cidadã.

Manuela: o filet mignon dos tubarões do laranjismo.

A justiça tem destas coisas: raramente prevalece, sobretudo na política. Que aliás se não rege - hélas! - pela justiça mas pelo poder.

Tenho de ser objectivo: adoro a senhora, mas suas virtudes são seus defeitos - quem quer um 1º Ministro ASSIM?

Sobretudo os que se lembram de Cavaco, o nosso Primeiro.

24/06/08

Blogs

Do 0 de Conduta, transcrevemos com a devida vénia o post OS RICOS QUE PAGUEM A SAÚDE (MAIS OU MENOS):

Só há um pais da OCDE em que o Estado não garante os cuidados universais de saúde. Nos EUA, onde o Medicare garante a saúde dos pobres, todos os outros têm que pagar pelo seu bolso os famigerados seguros. Resultado. No país que mais gasta com a saúde em todo o mundo, 46 milhões de pessoas não têm acesso a nenhum cuidado de saúde, público ou privado.

É a partir deste excelente exemplo de ineficiência e iniquidade que Ferreira Leite que conter as despesas do Estado. Não apresenta um número sobre o SNS que exija a alteração da sua filosofia, o que se compreende quando estamos a falar do serviço público mais eficaz e que, ao contrário de quase tudo no país, se encontra entre os melhores do mundo. Os ricos que paguem a saúde, parece ser o mote deste novo PSD. Como os ricos já não põem os pés no serviço público, fica-se sem perceber onde é que este serviço universal empobrecido vai melhorar o que quer que seja. A não ser, claro, que Ferreira Leite pretenda mexer no bolso na classe média e média-baixa. A mesma que já se encontra sobreendividada, recebendo salários de mil e poucos euros para pagar 500 ao banco pela prestação da casa.

Ferreira Leite começou a sua campanha mostrando-se preocupada com a pobreza e o empobrecimento da classe média. A sua primeira proposta é coerente. Nivelar por baixo, destruindo o melhor e mais eficiente serviço público para promover a iniciativa privada. O “novo” PSD pode ter menos aparato cénico e ser menos histriónico, mas é apenas uma nova embalagem para a demagogia de sempre.

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21/06/08

Operação Robin dos Bosques

Estou muito impressionado com o anúncio da Operação Robin dos Bosques.
A minha costela romântica sente ternurinha perante tão idealista ideia.

O meu problema é que se a moda pega poderão proliferar os mini-Robins copiando a ideia e o mecanismo.

Mas tenhamos fé: tudo acabará em bem.

Só faltam a lady Marian e o frei Tuck.

18/06/08

Paco Ibañez

Colaborando

Hoje conto com a colaboração de colaboradores que colaboram por gosto, sem cansaço por colaborarem. É esta colaboração que aprecio, haja calor ou frio, chuva, neve ou granizo.

Estes colaboradores colaboram onde haja necessidade de colaboração: limpezas, lavagens, cozinha ou repassagem de roupa, costura ou bordado, mecânica ou informárica.

Colaboradores destes há poucos: por isso colaboram tanto, procurando suprir a sua exiguidade em número.

Quem são eles?

Imigrantes claro. Mesmo que à revelia do Paulinho Portas.

Pois. No colaborar é que está o ganho. É colaborando  que a gente se entende, sustenta e vive.