Scherzo No. 1 em B Menor
28/11/08
25/11/08
Acontece
Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
19/11/08
Manuela de Esparta

Como estou comovido!
Esta senhora deve passar à história da democracia portuguesa: diz o que não quer e quer o que não diz.
Por Portugal, no pasará!
12/10/08
O fado
Há países onde é difícil viver. Noutros, não é fácil conviver. Noutros ainda, NADA sai bem.
VPV vive num país do 3º grupo. Feito à sua medida, para seu prazer e desgraça dos outros.
Mas com a desgraça dos outros pode ele bem: que seria de VPV se alguma coisa corresse bem no seu país?
11/10/08
Timing
Há gajos à rasca com a crise.
Diz-se que os mais aflitos são os mais ricos.
É que terão de fazer uma pausa.
09/10/08
O monólogo parlamentar
Eu, que sempre gostei de ver oposições parlamentares aguerridas, estou hoje bem triste, recalcando sem efeito visível a vergonha que ontem passei durante o debate parlamentar (mais propriamente chamado o passeio de Sócrates).
Realmente, tivemos oposição no seu pior: sem chama, sem imaginação, sem conteúdo. Rangel (onde terá Manuela ido descobrir este génio?) e Louçã esmeraram-se na desgraça paroquial.
Garanto que a sra. Palin é bem melhor.
06/10/08
Cuidados
Quando hoje me levantei, lembrei-me que ontem fora dia 5.
E voltei a comemorar.
Entretanto, procurando dar seguimento aos preceitos da caridade cristã, tive um pensamento de cuidado filial pela líder do PSD. Bem merece!
29/09/08
O Manelismo
Começo finalmente a perceber o Manelismo.
Trata-se - depois do tabu do silêncio - de fazer microoposição: alinham-se declarações sobre temas menores, misturam-se algumas posições solenes sobre temas fracturantes que, por serem "matéria de consciência", permitem lavar as mãos na liberdade de voto, simulacro de democracia alaranjada e arejada. Junta-se a esta salada de frutas um sempre-recauchutado Santana (que dá a D. Manuela um cheirinho de calculismo pragmático, tempero sempre conveniente numa salada que se preza).
Afinal é tudo simples.
Menos ganhar eleições.
The show must go on
A crise financeira veio para ficar, com as carpideiras do costume e as desculpas de quem tem peso na consciência.
O capitalismo não acabou: apenas está mostrando que não pode passar - sobretudo ele! - sem o socorro do Estado para lhe subsidiar as incompetências e os golpes - financiando-lhe, generosamente, os prejuízos.
Quando o engenho dos "novos produtos financeiros" começa a soçobrar, o sistema dá nisto: socializam~se as percas para continuar a capitalizar-se nas várias roletas do Casino.
Mas haveria outro remédio?
Haveria: mas era necessário subordinar o poder económico ao político. Coisa que aos próprios políticos não interessa: quem lhes pagaria os desvarios, as comissões e a domesticação da grande mídia?
Nada voltará a ser como era. Para que tudo continue a ser como era.
Há só que mudar o esquema e alguns dos seus arquitectos.
The show must go on.
12/09/08
04/08/08
Lento, curto o momento ...
Lento,
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).
São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.
Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.
Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia
MAURÍCIO SEGALL
31/07/08
30/07/08
Lula 3, Sócrates 1
Estive a ver as entrevistas de Lula e Sócrates à RTP2.
Lula é bem mais expontâneo, vivido, tarimbeiro de todas as batalhas, das perdidas construindo as vitoriosas.
Foi gostoso vê-lo.
Sócrates é o que é: a força da determinação activista sem a convicção tranquila e simpática do Presidente Brasileiro. Mas, dentro do que temos, não há melhor...
22/07/08
21/07/08
Regalias
Jorge Deodato nem sempre faltava ao emprego: ás vezes lá aparecia, com uma desculpa esfarrapada por estar presente onde os colegas já não estavam habituados a vê-lo.
Mas aparecer era sinal de remoque na consciência de esportulador de salários in absentia.
O estatuto de Delegado sindical legitimava-lhe a prebenda, que procurava compensar com zelo e arte no que chamava "a defesa das regalias conquistadas".
A regalia dele era obviamente a mais estimada, defendida e utilizada.
Pois: o exemplo tinha de vir dele.
20/07/08
A ordem sagrada do universo
Estou ciente de que os cientistas são os guardiães da ciência. Se o não fossem, mal iriam - eles e a ciência.
Efectivamente, o que seria uma ciência sem guardas ou uns cientistas sem nada para guardar?
Assim sendo, os cientistas que guardem a as ciências que se deixem guardar. Éste é o fado que lhes coube em sorte e com a sorte não se brinca.
Tenhamos esperança de que a Ordem do Universo será respeitada. Nela, guardadas estão as ciências para os cientistas as guardarem.
19/07/08
Da objectividade inane
Nutro uma grande ternura por Manuela Ferreira Leite. Dá-me uma impressão de senhora tão séria quanto determinada no fracasso. É que nem sempre fracassa quem quer nem quem pode. Mas quase sempre fracassa quem não merece.
E Manuela não merece: é séria, não demagógica, competente, boa avó, bom mãe, boa esposa, óptima cidadã.
Manuela: o filet mignon dos tubarões do laranjismo.
A justiça tem destas coisas: raramente prevalece, sobretudo na política. Que aliás se não rege - hélas! - pela justiça mas pelo poder.
Tenho de ser objectivo: adoro a senhora, mas suas virtudes são seus defeitos - quem quer um 1º Ministro ASSIM?
Sobretudo os que se lembram de Cavaco, o nosso Primeiro.
