31/03/09

Expectativas 3


Segundo o EXPRESSO on line, "O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) congratulou-se hoje com a garantia do procurador-geral da República de que eventuais pressões sobre magistrados do processo Freeport estão a ser averiguadas, reiterando que há "pressões".

O nóvel Presidente do Sindicato não chega a ser hipócrita. Nem aí consegue chegar. Ser hipócrita exige algum talento e arte, características que parecem escapar ao pedigree do Dr. Palma.

Expectativas 2

Comunicadamente, o PGR comunicou. Como seria de esperar, vindo de quem - e de onde - vem.

Sua Exª. deixou-nos completamente esclarecidos: os chefes da pesquisa - disse ele que lhe disseram eles - não foram entalados. Continuam, doa a quem doer, percorrendo o caminho do dever, no tempo e no modo que o dever e o apuramento do cozinhado exigirem.

Estamos, assim, mais tranquilos. O Garzonzinho nada deve e nada teme.

Cervantinamente, entre o Quixote e o Sancho que em sua Exª. parecem um só , o País, aliviado, dorme beatificamente.

(Que pensará a alta figura do Estado?)

Andrew Poluchkin

Para onde ir agora?

Expectativas

Descobri o conspirador que tem andado a conspirar, numa conspiração aprazada entre conspiradores de todo o espectro partidário.

Esta foi, objectivamente, a primeira conspiração unanimista da nossa jovem democracia.

Dela foi vítima uma alta figura do Estado, cujo nome por decoro e descrição se omite, embora todos saibam quem é.

Diz-se que o Procurador - nosso Garzón da Trafaria, - irá falar ao país para pôr tudo em limpos pratos

Estou certo que assim não será. A Trafaria pesa muito.

Vórtice

A noite está quase chegando à madrugada
Esta madrugada que me cansa
Quando vigilando penso que nem dormir consigo.

Porque dormir vai sendo prenda rara,
mesmo inóspita no meio de tanta solidez sórdida,
de memória ao vento enevoada,
enxovalhada mesmo pelo zumbir,
que começa na nevralgia deste nocturno
e acaba, enfim, no vórtice seco da secura de mim.

A família

Botero

A profissão dominante

Meu Deus como eu sou paraliterário
à quinta-feira véspera do jornal
nadando em papel como num aquário
ejectando a minha bolha pontual

de prosa tirada do receituário
onde aprendi o cozido nacional
do boçal fingido o lapidário
- fora algum deslize gramatical-

receio que me chamem extraordinário
quando esta é uma prática trivial
roçando mesmo o parasitário
meu Deus dá-me a tua ajuda semanal

Farnando Assis Pacheco

04/02/09

30/11/08

O sobrevivente

 

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

Carlos Drummond de Andrade (link)

28/11/08

La salvación

 

Ésta es una historia de tiempos y de reinos pretéritos. El escultor paseaba con el tirano por los jardines del palacio. Más allá del laberinto para los extranjeros ilustres, en el extremo de la alameda de los filósofos decapitados, el escultor presentó su última obra: una náyade que era una fuente. Mientras abundaba en explicaciones técnicas y disfrutaba de la embriaguez del triunfo, el artista advirtió en el hermoso rostro de su protector una sombra amenazadora. Comprendió la causa. “¿Cómo un ser tan ínfimo” -sin duda estaba pensando el tirano- “es capaz de lo que yo, pastor de pueblos, soy incapaz?” Entonces un pájaro, que bebía en la fuente, huyó alborozado por el aire y el escultor discurrió la idea que lo salvaría. “Por humildes que sean” -dijo indicando al pájaro- “hay que reconocer que vuelan mejor que nosotros”.

Adolfo Bioy Casares LINK

Sviatoslav Richter toca Chopin

Scherzo No. 1 em B Menor

25/11/08

Acontece


Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

19/11/08

Que bello!



Kravchenko


Manuela de Esparta



Como estou comovido!
Esta senhora deve passar à história da democracia portuguesa: diz o que não quer e quer o que não diz.
Por Portugal, no pasará!

12/10/08

O fado

Há  países onde é difícil viver. Noutros, não é fácil conviver. Noutros ainda, NADA sai bem.

VPV vive num país do 3º grupo. Feito à sua medida, para seu prazer e desgraça dos outros.

Mas com a desgraça dos outros pode ele bem: que seria de VPV se alguma coisa corresse bem no seu país?

11/10/08

Timing

Há gajos à rasca com a crise.

Diz-se que os mais aflitos são os mais ricos.

É que terão de fazer uma pausa.

09/10/08

O monólogo parlamentar

Eu, que sempre gostei de ver oposições parlamentares aguerridas, estou hoje bem triste, recalcando sem efeito visível a vergonha que ontem passei durante o debate parlamentar (mais propriamente chamado o passeio de Sócrates).

Realmente, tivemos oposição no seu pior: sem chama, sem imaginação, sem conteúdo. Rangel (onde terá Manuela ido descobrir este génio?) e Louçã esmeraram-se na desgraça paroquial.

Garanto que a sra. Palin é bem melhor.

06/10/08

Cuidados


Quando hoje me levantei, lembrei-me que ontem fora dia 5.
E voltei a comemorar.

Entretanto, procurando dar seguimento aos preceitos da caridade cristã, tive um pensamento de cuidado filial pela líder do PSD. Bem merece!