09/01/08

Do mauzinho estrutural

Há pessoas estruturalmente más. Curiosamente, são as menos culpadas ou culpáveis - o gene que indelevelmente tão impiedosamente as marcou nasceu com elas, deixando torto à nascença o que a vida social jamais curará ou redimirá.

Quem na sociedade trata dos maus - polícias, juízes, padres e psiquiatras - passa geralmente ao lado deste destinguo genético. Mais do que as causas preocupam-se com as consequências da maldade, da prevenção à repressão. E, embora o padre e o psiquiatra asseverem que cada um dos maus de per si é um caso, a verdade é que - entre orações, sermões, psicoterapia e farmacoterapia - a abordagem pouco varia no conteúdo e tudo se concentra na retórica da dosagem ou na dosagem da retórica.

E os mauzinhos estruturais, afinal?

Esses são como os outros: isolam-se se maus, matam-se se péssimos e ostracizam-se se só chatos.

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